quinta-feira, 8 de setembro de 2011


Resolvi fundir em gesso estas duas esculturas para que não se perdessem. Foram idealizadas para serem colocadas nas paredes do lado de fora da casa de amigos. Inclusive já fundi um parafuso atrás de cada uma delas, seguindo a dica de um colega escultor durante a pós (obrigado, mas esqueci seu nome, entre em contato para os devidos créditos). Esses problemas aparentemente simples como colocar uma barra de ferro perpendicular ao chão, ou fixar um papel na parede sem destruir a mesma ou o papel, são o que movimenta aquela linha de pesquisa de novos produtos caros e geniais da 3M. No mais, para as esculturas, havia uma pesquisa com fontes e gárgulas (obrigado Izaak Vaidergorn, por me ensinar que todo objeto arquitetônico que desagua é uma gárgula, não somente as formas energúmenas). Havia um pensamento rondando sobre o sofrimento que deve ser ficar a eternidade cuspindo água, na mesma posição, por isso pensei em imagens com poses desconfortáveis. Estas representações arquitetônicas sempre me interessaram mais por tentar perceber, por meio de pequenas sutilezas, a profundidade de representação do artista para com o ofício da criatura. Daquelas fontes com anjinhos felizes e descompromissados que incitam mendigos a urinarem na praça também; titãs com a jugular pulsando por segurarem uma pilastra pública nas costas; gárgulas raivosas pelo seu ofício de Sísifo, eterno.

Um comentário:

Rafael disse...

Poderia indicar para esse site:

http://www.fotos.ntr.br/objetos-zumbis/