sábado, 13 de outubro de 2007

Utopias Urbanas | Construção de mundos virtuais em VRML


Na próxima quarta-feira (dia 24) começa a primeira aula de um curso sobre de criação de mundos virtuais na internet que vou dar na Unicamp. Meu interesse pelo assunto já vem de longa data, desde que ganhei meu primeiro computador (obrigado pai!) e um vizinho me mostrou um jogo estranho que tinha vindo com o desejado "kit sound blaster" que o pai dele tinha comprado. Meu colega estava doente com hepatite, então tive muito tempo de explorar os lugares daquele jogo estranho.

O jogo era MYST.

Minha paixão pelo assunto foi aumentando pelo imaginário rico que jogos eletrônicos podem fornecer. As questões foram se aprofundando, tangenciando campos da filosofia. Ano passado tive a oportunidade de ilustrar um trabalho da minha namorada Luana (que na época estava terminando o curso de ciências sociais na Unicamp) que era sobre utopias urbanas. Certamente ela é mais apta a falar sobre o assunto do que eu, ainda mais com um olhar das ciências sociais e da antropologia. O trabalho final, com as ilustrações pode ser baixado aqui.

Em agosto deste ano fiz uma série de desenhos que ilustram ao mesmo tempo lugares imaginários, sonhos e objetos. Esta série teve o duplo intuito de dar continuidade a um certo tipo de pensamento ao mesmo tempo que descontruía um plano e ideal de arte meus, que estavam ficando muito solidificados por causa do mestrado na área. Meus projetos de objetos e esculturas têm sido ultimamente uma espécie de prisão, por essa tentativa de formar um conjunto ótimo para a dissertação final que será o ano que vem. Estes desenhos serviram de contraponto ao que vinha sendo formado, como uma espécie de crítica poética através de uma série descompromissada. Infelizmente (ou não) estes trabalhos já se solidificaram de tal forma que não consegui produzir mais nenhum destes desenhos de forma que entrassem diretamente no conjunto. Um elemento afeta toda a malha. O que era inicialmente uma proposta na qual tinha decidido me esforçar ao máximo não pensar a respeito, já foi colocada em um bloco dentro do conjunto de obras, o que certamente já trás questões e pensamentos específicos.





Abandonos. Aliás, minha obra parece ser, na verdade e até agora, uma espécie de coleção de destroços: séries inacabadas, desenhos mentais, gravações de áudio, pinturas, arquivos 3D, experimentos em flash. Fico feliz com a crítica genética de Proust que desvela que uma obra como A la recherche du temps perdu foi composta de fragmentos, como um mosaico. Aliás, o fragmento que constituiria o início do livro foi escrito ao mesmo tempo que o final. Há um destroço que vou colocar aqui, da primeira versão da página.




Decidi fazer a página final em 3D, porque assim faz um paralelo direto com o curso, e com a linguagem VRML. Embora o VRML esteja indo mal das pernas, estou empolgado com o curso e com as possibilidades que isto oferece. Estou entregando obras em VRMl para alguns salões, principalmente para o salão de Arte Contemporânea de Campinas. Vou postar estas obras outro dia.

Um comentário:

Luana disse...

O texto que a Luana escreveu sobre utopias não é um texto sobre utopias, mas uma utopia. Que, diga-se de passagem, deveria ser revista antes de qualquer publicação, como eu havia dito ao Tago.