
Achei que fosse em um parágrafo bem inspirado de seu livro Rumos de uma sociedade tecnológica que Abraham Moles estava falando sobre o desejo e subjetividade que impregnam produções e técnicas contemporâneas. A citação vinha de um outro livro, junto com um pensamento, possivelmente perdido na sua referência (estaria nos tristes trópicos?) da terrível época pela qual os universitários passam: decoram as coisas e tentam solidificá-las em texto antes de esquecê-las na semana que vem. Execesso de informação sempre me lembra parágrafos de Baudrillard.
Enfim, o trecho ao qual erroneamente me referia está na introdução das Tecnologias da Inteligência do Pierre Lévy. Embora afirme que sua empreitada seja oposta a proposta de Sibony [11] fico pensando nas tentativas de justificação de desejos por uma sociedade tecnológica; uma busca quase sem sentido, instintiva, de reproduzir um sistema, criar um autômato (blogs não devem ser destinados para fins acadêmicos, nem opção de notas eles têm). Ainda é, de certa perspectiva, incompreensível porque uma sociedade como a japonesa seja tão icônica na execução de sistemas robóticos.
Eu compartilho também desta necessidade e não sei por qual razão. Narcisismo ou instinto inconsciente de reproduzir-se. A idéia das memes. As conversas e as festas de aniversário. Um piano visto como um instrumento amplo de moral e cultura.
Este trabalho, em sua versão inicial, foi publicado no Premio Sérgio Motta de Arte e tecnologia de 2006. Está um sua versão 1.0 e talvez nunca passe disso. O desejo já foi apontado e a obra, mesmo em seu fragmento, está como que completa. O resto é virtuosismo.
A obra pode ser acessada aqui.
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