sábado, 13 de junho de 2020

Aquarelas e Cursos

Creio que não escrevo aqui há quase 3 anos. É interessante rever os posts, trabalhos e pensamentos de outra época e outro eu. No fim, a estrutura do blog se mostrou estável, e nestas memórias de arte e aprendizado, revejo tanta alegria e tanto desconforto. Por fim, o remédio talvez seja encarar o blog em si como um percurso artístico, o desenrolar de um processo.

O que sobra numa tela são os pigmentos atirados por alguém, o resto de um processo que aconteceu.

Nestas aquarelas, refino a formatação e alguns pensamentos de certos objetos de pesquisa e interesse hermético, da qual chaves e fechaduras se formam o tempo todo. É similar a um processo de alquimia interior, descrita em momento oportuno, mas que gerou alguns objetos criados em meu mestrado, além de uma exposição de telas e desenhos em Campinas. Estes objetos-pensamento, reencontrados com tamanha força pela leitura de um artigo sobre as máquinas de Remédios Varo (http://www.revistas.usp.br/extraprensa/article/view/157653) será descrito em outro momento.

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Deleuze sempre advertiu quanto ao perigo de se tornar um "trapo" através de experimentações, que inicialmente poderiam ser positivas, mas que depois são regulamentadas por uma moral subjetiva: "a queda de um processo molecular em um buraco negro", Diálogos, p. 167.

O início deste post é a criação de um itinerário de pintura, Cursos. É a realização de um projeto que não terá fim, porque é a defesa de que arte (arts, fazer manual, séc 16) é um processo que pode ser levado a cabo de um projeto (ideal ou próximo ou melhor) para o ser humano. Há armadilhas, claro. O ponto anotado por Deleuze acima é exemplar. Hitler pintava; Cavaggio era alcoólatra e matou uma pessoa; Regina Duarte. Exemplos, mas que residem, em outras medidas na infinitude de criadores neste século exponencial.

O tema dos próximos posts irá se configurar acerca de projetos de pintura que venho trabalhando durante a vida toda, mas que se intensificou nos últimos 5 anos, por isso a necessidade de organização e registro das descobertas. Há inúmeras, mas o eixo central não irá ser tanto da ordem do pessoal, embora isso pareça incoerente, mas em um eixo de pensar o processo de ars como curativo (cura para Bachelard, como melhor configuração possível, cimento e queijo curados). Poderia me referir como eixo algo em como o processo artístico-estético e a psicomagia levam a uma melhoria ética. Noto que gostaria de colocar a palavra melhoria mas o curandeiro, o shaman, o psicográfico, etc, precisam ser entendidos como amaldiçoados também pela sua habilidade.







detalhe do ritual

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