Do que que a memória retém ao longo dos anos, no jogo da lembrança mais antiga, a minha equivale a esta pintura, feita no jardim da infância, 4, 5 anos talvez. O registro foi em um momento da lembrança das sensações neuróticas da criança. Eu comecei a chorar ao ver este pedaço de madeira na minha frente, com a diretriz de que fosse pintado. Me lembro que má compreensão; o choro ocasionado pela tarefa intransponível à minha frente; chorava porque não sabia o que pintar e aquilo ela assustador; talvez as possibilidades estivessem muito abertas diante de um plano inteiro a ser criado, pensado e construído, ou talvez as expectativas dos adultos fossem demasiadas grandes (Paulo Fochi e a pressão pela mente do adulto), ou unilaterais demais para uma criança manusear aquela proposta. Lembro da professora perguntando com afeto se seu gostava das cores me direcionado para a confecção de "linhas coloridas". Por fim, por algum tempo depois na vida adulta, no milagre deste artefato ter sobrevido ao longo dos anos, critiquei o toque das gaivotas no topo, feitas pela professora, o qual falarei a seguir, a partir de um texto (Mikel Dufrene, Estética e filosofia, A propósito de uma exposição de Lapoujade), de sua pequena estética. A data se perdeu, como se nota no verso.
Os pontos das gaivotas tomam como eixos a crítica entre abstração e figuração e sua postura ética-estética na pintura. E o outro os pólos egocentro, outro ou coletivo, que venho a chamar de pintura dialética.
fig. 2 - Duas das pinturas a óleo mais antigas (2001). Ambas foram modificadas em 2019 por processos e interesses outros na pintura, (materiais, conceitos, temas) e espiritual (desapego, devir).
Embora o conceito dialético ainda leva a uma medida de unidade, o conceito de devir me serviu como uma superação, ao pintar com Nara, agora com 3 anos de idade. O devir expande e recria, excluindo o centro do ego na pintura.
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